A inevitável responsabilidade de rever suas ações quando se sente frustrado

Como eu comentei no meu último artigo, um mindset que você escolhe com o passar do tempo é olhar para o problema e achar o lado positivo. Fique chateado por 5 minutos, pense nas ações, e bola pra frente. Se não, você entra em uma espiral de culpa, raiva, frustração que, no final, não é produtivo. Não importa quem é o responsável, no seu ponto de vista, pelo problema.

Eu melhorei muito na maneira como eu percebia a situação que me causava frustração. E não é condenando o outro lado. Eu me considero com sorte por ter um coach corporativo com que eu falo sobre os obstáculos que eu passo. Ele foca bastante em me perguntar quais ações eu poderia fazer diferente para ter um resultado diferente.

Depois de algumas sessões em que abordei o tema, agrupei uma série de questionamentos que me ajudam a interpretar a realidade de uma forma diferente, quando fico desconfortável com a situação. É um esforço contínuo para repensar o que aconteceu, e focar nas ações que sou responsável por ter.

Para começar:

  1. O que eu poderia ter feito diferente?
    Trouxe meu melhor para aquela interação? Isso significa olhar para trás e questionar o que foi feito. Será aquela a melhor resposta que eu poderia dar?

  2. Eu comuniquei as minhas expectativas no começo da interação?
    Estavam todos alinhados com o resultado esperado no começo da reunião/conversa? Eu coloquei a minha expectativa no começo da conversa? Ou só joguei um monte de frases para as pessoas e esperei que eles entendessem o que eu queria.

  3. Estou levando isso para o lado pessoal?
    E as expectativas e ponto de vista dos outros? O que será que estava passando na cabeça deles para eles terem reagido daquela maneira? Será que aquela conversa/assunto era uma prioridade para eles?

  4. Mesmo eu me sentindo frustrado/chateado com o resultado. Aquele resultado foi o melhor para a empresa?
    Você atingiu o obejtivo da conversa, independente de como você sentiu?

  5. Estou sendo empático com eles e comigo?
    Será que aquele foi o melhor momento para falar com eles? Talvez trouxe um assunto do nada e não os deixei ter tempo para digerir a ideia.

  6. Estou chateado porque quis reforçar o que eu já sabia ou foi por ter ouvido pontos cegos na minha ideia?
    Ou seja, eu quero apresentar uma ideia e sair com uma versão melhor e mais completa dela ou estou procurando aplauso?


Mesmo com esses questionamentos, você ainda pode se sentir chateado. Para complementar, eu extraí três conceitos de um livro chamado "Os Quatro Compromissos" que meu coach recomendou:

  1. Não leve nada para o pessoal. O que os outros dizem e fazem é só uma projeção da realidade deles. Aquilo não necessariamente é verdade nem precisa ser o mesmo da sua realidade. No livro, eu encontrei uma parte interessante sobre isso. Quando você é imune a opinião e ações dos outros, você não se torna vítima de um sofrimento desnecessário.
    Eu não sou religioso, mas eu consigo correlacionar com uma abordagem budista em procurar a neutralidade, "nem agradável, nem desagradável" ou "nem feliz, nem triste". O mais desacoplado/independente da opinião dos outros, mesmo que seja um elogio (nem feliz) ou um insulto (nem triste, quase invariavelmente, você é feliz.

  2. Não faça suposições. É mais fácil supor algo sem perguntar, pois impede que você vá alguém e pergunte alguma coisa. No processo, isso pode ser mal interpretado e não ser um questionamento bem vindo (Sócrates sabe bem).
    A parte complicada é: quando você não questiona e assume/supõe algo, isso pode desencadear muitos desentendimentos, tristezas e dramas que seriam evitáveis.

  3. Sempre faça o seu melhor. Acho que isso tem a ver com a quinta pergunta acima (Estou sendo empático com os outros e comigo?). Às vezes você fez o melhor que aquela situação permitiu. Se dentro de você, você seguiu aquelas perguntas acima e mesmo assim teve um resultado ruim: é o que deu para fazer. Nesse cenário o melhor a se fazer para continuar em frente é aceitar que você fez o seu melhor, aprendeu uma lição e seguir em frente.


Como sempre, fácil dizer, difícil de implementar no dia-a-dia, certo? Sim, certo. Mas tecnicamente, é o mesmo tipo de questionamento com qualquer coisa nova que você aprende: como aquilo vai encaixar efetivamente na sua rotina? Vai deixar essas perguntas em algum lugar,  e assim quando se sentir frustrado, vai à elas para refletir? Medita sobre elas no começo/final do seu dia?

Independente da maneira específica que você escolher, você precisa achar um caminho. Se você não faz isso, é como qualquer outro conhecimento que você tem, mas nunca usou: ele fica lá parado,  à deriva da no seu cérebro e das suas ações diárias. Com isso dito, qual tem sido a sua maneira construtiva e positiva de lidar com as frustrações?

Share